Dia 20/01 é feriado aqui no Rio de Janeiro e por isso aproveitei o final de semana prolongado para fazer uma viagem romântica e bacana com o marido. Decidi que gostaria de viajar para a Serra (afinal, com o calor que tem feito por aqui nas últimas semanas já não consigo nem mais pensar em praia) e, ao pesquisar por pousadas, encontrei a Fazenda das Videiras, uma pousada enogastronômica muito bem cotada nos principais sites sobre turismo do país. A pousada fica em Itaipava, sendo que, na verdade, fica no Vale das Videiras, a 19km do centro de Itaipava, entre Araras e Paty de Alferes. Apesar de ficar distante dos centros urbanos, a estrada é asfaltada e o caminho para chegar lá é muito simples e fácil.

A Fazenda das Videiras tem o selo Hotéis de Charme do Guia 4 Rodas, considerada por esse mesmo guia uma das pousadas mais exclusivas para casais no Brasil. São 7 chalés e dois apartamentos na casa principal, aceitando somente 1 casal por quarto, sendo proibida a estadia de menores de 16 anos. Tudo isso para garantir o clima romântico, calmo e exclusivo dessa pousada que mais parece um hotel fazenda sem aquela gritaria toda de crianças correndo e camareiras passando de um lado para o outro. Aqui o silêncio, a natureza e a tranquilidade tomam conta do lugar.

A casa principal, onde tem o restaurante, a sala de estar e de cinema, é no estilo colonial, lindíssima tanto de dia quanto de noite. Na frente dela tem um extenso gramado onde ficam carneiros e pavões soltos passeando (são todos super mansos). Além disso tem rio, cachoeira, piscina, spa… deu para entender, né? Não vou me alongar muito aqui na descrição da casa porque não é o foco, quero falar sim do RESTAURANTE!

O que me fez ir para essa pousada foi justamente o restaurante. Tanto a pousada quanto o restaurante foram fundados pelo casal Gaspar e Enir, ele um enólogo profundo conhecedor de vinhos franceses e ela, chef que passou uma temporada também na França para aprender o melhor da culinária local. Juntos e potencializados, criaram o projeto de vida deles, essa pousada enogastronômica, cujo grande potencial (para mim e muitos que visitam) é o serviço impecável e a qualidade excepcional do restaurante. 

O restaurante é pequeno, só tem lugar para 20 pessoas (se não me engano), o que é uma delícia. As pessoas que trabalham na recepção e servindo também são incríveis, muito educadas e bem vestidas, dando um toque de requinte sem afetação. A adega é uma coisa deliciosa de se visitar, sendo no subsolo da casa, com uma linda mesa em madeira maciça no centro e dividida em regiões. Vale a pena marcar uma visita guiada com o Gaspar, que explica tudo sobre os vinhos disponíveis com o maior prazer. Olha nossa foto com ele aí:

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Fiz questão de fazer todas as refeições lá, para conhecer ao máximo o cardápio, que não é extenso mas é bastante variado, indo de saladas a sopas, carnes, patos e peixes, sem contar as sobremesas. Um dos principais arrependimentos que tive foi não ter levado minha máquina profissional, com a qual costumo tirar as fotos aqui do blog. Fui de máquina automática mesmo, as fotos não ficaram lá grande coisa e na verdade nem tirei foto de tudo que comemos, mas segue aí um roteiro para vocês terem uma ideia!

1° Dia: 17/01, sexta-feira

Já chegamos às 19h, quando fomos muito bem recebidos no restaurante da pousada com um Espumante Rosé Brut 100% Pinot Noir feito especialmente para a pousada (que, de tão bom, acabamos levando uma caixa para casa). Com isso só pudemos jantar e, como não estávamos com muita fome, escolhemos um cardápio leve.

De entrada o Couvert Tradicional: Tapenade (pasta típica de Provence, na França), pãezinhos caseiros de batata, manteiga com ervas frescas e patê de fígado (que eu troquei por um patê de vitela com geleia de pimenta, porque não como nada de fígado). Depois partimos para um delicioso Velouté de Crevettes: creme de camarão com batata baroa, cebola e tomilho. (nesse dia não tirei fotos…)

 

2° Dia: 18/01, sábado

Não tirei foto do café da manhã de nenhum dos dias, mas, apesar de não ser enorme como um café colonial, é extremamente bem feito e de bom gosto. Pode-se pedir omeletes, ovos fritos e mexidos ao chegar, vários tipos de frios estão dispostos, assim como geleias, requeijão, iogurtes feitos na casa, sucos de frutas, café, croissants, pães integrais e franceses, além de pelo menos um tipo de bolo. Achei excelente e está incluso na hospedagem.

Para almoçar resolvemos pedir nós dois o Menu Especial de Verão:

Salada Paul Gauguin: folhas verdes orgânicas, tomates, flores comestíveis (capuchinhas) e cenoura crua ralada, com molho à base de iogurte natural. Seguidos pelo prato principal Saint Pierre, Pomme de Terre et Sauce d’Poireau: filé de peixe de água doce grelhado, coberto com farofa de ervas, acompanhado de purê de batata e molho de alho poró. Finalizando com Glacê et Sorbet Maison: gelato artesanal de goiaba de sobremesa.

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E pro jantar pedimos os dois pratos de pato disponíveis no cardápio:

Canard Confit et as Corbeille de Fromage: coxa confit de pato em cesta de queijo parmesão, com risoto de queijo Grana Padano e molho de uva, pêra e vinho e Magret de Canard à l’Orange: filé de peito de pato grelhado, composta de laranja e gratin de batatas ao forno com cogumelos Paris e shiitake.

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E para terminar a noite doce, partimos para um Trilogie de Tartes avec ses Vins Doux: três pequenas tortas (chocolate, maracujá e amoras) harmonizadas com três pequenas taças de vilhos de sobremesa franceses (Mombasilac, Muscat – que foi substituído pelo húngaro Tokaji – e Banyuls).

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3° Dia: 19/01, domingo

Para o almoço tinha o especial do dia, o Cassoulet Toulousain: prato típico popular de Toulouse, sudoeste da França. Feijoada com feijão branco, carne de vaca, coxa confit de pato, paio, linguiça e cenouras. De sobremesa eu fui de Tarte au Chocolat: torta de chocolate semi amargo, na crosta de castanha de caju e coulis de frutas vermelhas com sorvete de creme. Já ele partiu para um Doce de Banana da Tia Ignácia: doce de banana cozido em tacho de cobre no fogão à lenha. Quente com sorvete de creme.

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Como o cassoulet, assim como nossa feijoada, é um prato bastante pesado, resolvemos pedir um jantar mais leve e fomos os dois de Crevette Royale à Biarritz: camarões VG dourados no gengibre e alho, flambados com conhaque e servidos com risoto de limão e ervas.

Uma das coisas mais legais desse jantar no domingo é que, como a noite estava muito estrelada e a lua lindíssima, pedimos para que nossa mesa fosse montada no jardim (no que fomos prontamente atendidos) e pudemos jantar à luz de velas com um visual maravilhoso. Fechamos com chave de ouro!

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fazendavideiras_12Ah, tudo isso é claro acompanhado de vinhos excepcionais sugeridos pelo Gaspar, todos acompanhando perfeitamente os pratos. Enfim, uma experiência enogastronômica realmente incrível e que vale super a pena!

OBS1: Infelizmente esqueci de tirar foto com a chef Enir, uma simpatia de pessoa com quem pude conversar alguns minutos sobre gastronomia, França e muitas coisinhas mais. Além disso ela foi uma fofa e me convidou para conhecer sua cozinha, que é simplesmente um charme!

OBS2: Aqui não tem jabá, ok? Não recebi qualquer pagamento (muito pelo contrário), estou escrevendo porque realmente adorei a experiência e gostaria de dividir essas informações com vocês!

OBS3: Foto de capa do fotógrafo Flávio Velloso, retirada daqui.

 

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